Reminiscências de um Estágio em Psicologia: Projeto de Intervenção Aplicado pelas Alunas da Universidade Nilton Lins no MCVE

Janiel O. Cundes • 3 de junho de 2025

A intervenção concentrou-se nos cuidados com a saúde mental, tendo como público-alvo os colaboradores e voluntários da Instituição

O projeto de intervenção desenvolvido pelas estudantes de Psicologia da Universidade Nilton Lins, Carmen Bastos (7º período) e Karolyne Lomas (10º período), intitulado “Entre Corações e Histórias: Cuidando de si para cuidar de outros”, foi implementado no último semestre, na sede do MCVE, com a participação ativa dos educadores e educadoras da instituição. O objetivo do projeto foi promover a saúde mental dos colaboradores(as), que diariamente lidam com diversas situações de atendimento a pessoas em situação de vulnerabilidade social. Eles(as) enfrentam desafios variados e necessitam de suporte emocional para equilibrar essas situações sem comprometer suas vidas, focando principalmente na qualidade de vida e no bem-estar. 


“As quatro ações desenvolvidas junto aos colaboradores revelaram uma abordagem integrada, em consonância com os princípios da Psicologia Social Comunitária (Góis, 1993), ao promoverem o fortalecimento de vínculos, a valorização das histórias de vida e o reconhecimento da identidade comunitária. As atividades buscaram despertar nos participantes a consciência de si como sujeitos históricos e ativos dentro da coletividade, fortalecendo o senso de pertencimento e a solidariedade grupal”, trecho do relatório da estagiária Carmen Bastos.


Esta atividade está alinhada à preocupação da instituição com seus colaboradores(as), que frequentemente se sentem exaustos devido às diversas circunstâncias enfrentadas nos serviços prestados à comunidade. O trabalho realizado pelas estagiárias contribuiu para a capacitação dos educadores(as) a lidar com tais situações.


“A proposta surgiu, então, da percepção da necessidade de fortalecer as práticas de autocuidado e manejo emocional entre os colaboradores. Assim, desenvolvemos uma intervenção baseada em uma abordagem participativa, acolhedora e preventiva, composta por cinco encontros temáticos e progressivos”, trecho do relatório da estagiária Karolyne Lomas.


Os encontros temáticos conduzidos pelas estagiárias de psicologia foram realizados com notável habilidade e empenho, além da criação de materiais que certamente contribuíram para a compreensão dos educadores(as) sobre a importância de entender esses processos de autocuidado.


“O primeiro encontro foi um momento de acolhimento, contando com a palestra ‘Entre Corações e Histórias: Cuidando de si para cuidar de outros’, que buscou sensibilizar para a importância do autocuidado e da escuta ativa. Para fortalecer vínculos e promover um ambiente afetivo, realizamos atividades como o Bingo da Amizade, além de música ao vivo e entrega de lembranças. Nos encontros seguintes, desenvolvemos juntos estratégias de manejo psicológico e rodas de conversa com foco na integração e fortalecimento dos vínculos da equipe, destacando especialmente a atividade ‘O que nos une?’. Encerramos com a atividade simbólica da ‘Árvore da Gratidão’, proporcionando um espaço para reflexão sobre o papel de cada um na equipe, valorizando suas contribuições e reforçando o compromisso com um ambiente institucional saudável e colaborativo”, Karolyne Lomas.


Ana Maria, psicóloga que atua na proteção básica da instituição, atendendo crianças, adolescentes e suas famílias, comentou sobre o trabalho realizado pelas estagiárias.


“Esse trabalho que elas estão desenvolvendo é essencial, pois proporciona experiência na área social e introduz esse tema no ambiente de trabalho, já que os cuidadores precisam desse apoio e também de serem ouvidos”, disse Ana Maria.


“Na rotina de assistência, especialmente para pessoas em situação de vulnerabilidade, é comum que os profissionais que cuidam dessas pessoas absorvam uma grande parte dessa carga. Portanto, é crucial atentar-se à saúde mental dos cuidadores(as). Isso evita que a rotina laboral encubra essas situações e que elas passem despercebidas. Através da intervenção, os educadores(as) perceberam a necessidade de identificar quando certas circunstâncias podem impactar negativamente sua saúde mental e evitar que isso cause alguma doença no futuro”, completou.


No relatório da estagiária Carmen Bastos, destaca-se a importância da psicologia social como estratégia para enxergar o cuidador como um indivíduo que necessita de atenção, conforme sugere a Organização Mundial da Saúde (OMS), que recomenda o autocuidado como essencial, independentemente da presença de assistência profissional.


“Em todas as intervenções, observou-se o estímulo à prática de autocuidado. Seja pela valorização da autoestima, pela escuta emocional ou pela expressão de gratidão. De acordo com a OMS (2021), o autocuidado é uma habilidade individual de manter o bem-estar com ou sem apoio profissional. No contexto do grupo, essa prática foi promovida de forma interdependente, em rede, sustentada pela força coletiva, como propõe a psicologia social”, trecho do relatório.


Os colaboradores e colaboradoras do MCVE acolheram essa iniciativa com grande carinho, afinal, eram retratados como agentes do bem que fazem o bem continuamente, uma questão relevante sobre a saúde mental de quem se dedica tanto a cuidar dos outros(as). O trabalho das profissionais que realizaram essa intervenção foi excepcional, pois souberam conduzir as atividades de modo que todos os educadores e educadoras pudessem interagir e participar ativamente durante as tarefas. 


“Que este projeto siga como um lembrete de que, antes de cuidarmos do outro, precisamos olhar com carinho para nós mesmos. Deixamos aqui não apenas uma intervenção, mas um legado de afeto, acolhimento e fortalecimento coletivo. Que cada encontro vivido ecoe como inspiração para um ambiente mais humano, colaborativo e saudável, onde histórias se entrelaçam e corações se fortalecem”, Carmen Bastos e Karolyne Lomas.

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