Seminário Estadual Faça Bonito 2026 reforça debate sobre proteção de crianças e adolescentes no Amazonas

Janiel Cundes • 9 de junho de 2026

Evento reuniu especialistas, organizações da sociedade civil e representantes do poder público para discutir desafios e avanços no enfrentamento à violência sexual infantojuvenil

MANAUS (AM) – A Assembleia Legislativa do Amazonas sediou, nos dias 2 e 3 de junho, o Seminário Estadual Faça Bonito – Proteja Nossas Crianças, promovido pelo Instituto de Assistência à Criança e ao Adolescente Santo Antônio (Iacas), com apoio de organizações da sociedade civil e órgãos governamentais. O evento reuniu especialistas, representantes de instituições públicas e entidades que atuam na defesa dos direitos de crianças e adolescentes para discutir estratégias de enfrentamento à exploração e ao abuso sexual infantojuvenil.


Entre os participantes esteve o Movimento Comunitário Vida e Esperança (MCVE), que mobilizou toda a sua equipe de educadores para acompanhar as atividades. A participação reforça o compromisso da instituição com a proteção integral de crianças, adolescentes e suas famílias, além de contribuir para a qualificação dos serviços prestados e para a construção de propostas voltadas ao fortalecimento das políticas públicas de proteção.


Durante o seminário, um dos temas centrais debatidos foi a necessidade de ampliar a fiscalização nas embarcações que circulam pelos rios do Amazonas. Considerando que os rios representam as principais vias de deslocamento no estado, especialistas alertaram para a vulnerabilidade de crianças e adolescentes que frequentemente viajam acompanhados de terceiros sem procedimentos adequados de verificação. O debate contou com a participação de representantes da Capitania dos Portos e de outros órgãos responsáveis pela fiscalização do transporte fluvial.


Outro ponto de destaque foi o impacto social provocado pela implantação de grandes obras na região amazônica. Segundo os participantes, a chegada de um grande contingente de trabalhadores a municípios de pequeno porte pode gerar pressão sobre os serviços públicos e ampliar situações de vulnerabilidade social, incluindo o aumento dos casos de exploração sexual de crianças e adolescentes. Representantes das empresas ENEVA e Petrobras participaram das discussões e apresentaram iniciativas voltadas à mitigação desses impactos.


A questão das notificações e subnotificações de violência também recebeu atenção especial. Embora dados recentes apontem redução no número de registros, especialistas alertaram que a queda pode não refletir a realidade dos casos, mas sim dificuldades na identificação e no encaminhamento das denúncias. A fragilidade dos fluxos de atendimento da rede de proteção foi apontada como um dos principais desafios.


Presidente do Conselho Estadual dos Direitos da Criança e do Adolescente do Amazonas (CEDCA-AM) e coordenadora do Iacas, Amanda Cristina destacou a necessidade de fortalecer a rede de atendimento. Segundo ela, o desafio atual não está apenas em incentivar as denúncias, mas em garantir respostas efetivas às vítimas.


“Temos avançado na conscientização da população sobre a importância de denunciar. No entanto, quando essas denúncias chegam à rede de proteção, muitas vezes ainda faltam estrutura e suporte adequados para acompanhar os casos da forma necessária”, afirmou.


Como exemplo de avanço institucional, os participantes destacaram a atuação do Centro Integrado de Atenção à Criança e ao Adolescente (CIACA) Lorena Ferreira Rodrigues, que funciona como uma central unificada para o acolhimento humanizado de crianças e adolescentes vítimas ou testemunhas de violência no Amazonas. Embora ainda esteja em processo de consolidação e aprimoramento, o equipamento é considerado uma conquista construída pela articulação entre sociedade civil e poder público e já se apresenta como uma referência em boas práticas de proteção integral.



O seminário encerrou reforçando a importância da integração entre instituições governamentais, organizações da sociedade civil e iniciativa privada para fortalecer a rede de proteção e garantir os direitos de crianças e adolescentes em todo o estado.

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