Baseados neste
direito fundamental e na inquietação oriunda do seguimento de Jesus
Cristo surgiu nas áreas missionárias Santa Mônica e Santa Helena, que
envolvem os seguintes bairros da zona norte: Manôa, Novo Israel, Terra
Nova, Monte Oliveiras, Monte Pascoal, Colônia Santo Antônio, Monte
Sinai, parte de Santa Etelvina, um movimento comunitário, fruto de uma
necessidade visível nas diversas comunidades e da sensibilidade,
preocupação de seus devidos coordenadores que se uniram e começaram a
pesquisar formas de como ajudar as famílias carentes tendo como foco
crianças e adolescentes em situação de risco, desprivilegiadas pelo
sistema. É relevante destacar a presença intrépida como idealizador, do
Pe. Riccardo Zanchin e vários integrantes do Gruppone Missionário, uma
associação italiana que se dispuseram com afinco por esta causa.
Esse movimento
teve início em 1997, funcionando com aulas de reforço e alfabetização de
adultos. Em 1998 foi sentida a necessidade de respaldo jurídico e assim
foi criado o “Movimento Comunitário Vida e Esperança” (MCVE) que
conforme o artigo 02 de seu estatuto tem por finalidade principal:
“incentivar os moradores das áreas missionárias, Santa Mônica, Santa
Helena e bairros vizinhos, a tomarem iniciativas e criarem atitudes que
promovam e defendam a cidadania e a dignidade de todos, dando, porém
prioridade aos excluídos, marginalizados e economicamente carentes,
sobretudo jovens, com atividades de educação integral e formação para o
trabalho.”.
O Movimento nos
anos de 1999, 2000 continuou sua caminhada com as escolas comunitárias,
mas, no entanto outros
desafios foram aparecendo e o fato de muitas crianças irem para a escola
sem comer, por causa da baixa renda de muitas famílias, começou a se
criar grupos de Geração de Renda com os pais destas crianças, o
que contribuiria para renda familiar.
Também surgiu a
necessidade de fazer um trabalho com os adolescentes que viviam em
situação de risco a fim de apontar novos caminhos, criando assim o
Projeto Horta.
No ano de 2001
devido a várias discussões anteriores, criou-se o projeto Raio de Luz,
destinado a atender mães adolescentes e grávidas para dar uma nova
perspectiva para as mesmas visto que o fenômeno da gravidez precoce é um
fato corriqueiro nesta zona de Manaus.
Neste mesmo ano
o MCVE recebeu uma grande parceria internacional que possibilitou o
crescimento da entidade em vários aspectos. A Visão Mundial, órgão
presente em diversos países acoplou-se às ações do Movimento ampliando o
projeto escolas comunitárias em várias comunidades e implantando o
Projeto Crianças do Amazonas atendendo 1700 crianças, criando a área da
saúde e área de psicologia e ainda fortalecendo os empreendimentos de
economia solidária.
Em
2002 através da parceria da rede CDI apoiado pela Visão Mundial e o
Instituto de oportunidade Social IOS conseguiu-se realizar o sonho de
trazer para algumas comunidades a escola de informática como espaço de
inclusão digital.
Neste mesmo ano
o MCVE começou a apoiar o projeto escolas de futebol, um projeto já
realizado no bairro de Novo Israel através do voluntariado do Sr. Rossi
Nogueira atendendo cerca de 200 adolescentes.
Em 2003 devido
ao escasso hábito de higiene, a proliferação de doenças , poluição em
vários sentidos em todas as
comunidades, surgiu a Equipe do Meio Ambiente que até o ano de
2008 trabalhou nas comunidades com campanhas de educação ambiental
incluindo o incentivo à coleta seletiva do lixo para fins de reciclagem.
Porem somente em 2005 com a fundação da Associação Eco-recicla foi
possível direcionar todos os resíduos sólidos coletados pelas
comunidades em virtude das campanhas de sensibilização ambiental. Com a
criação da fabrica de vassouras ficou muito mais fácil destinar o grande
número de garrafas pet coletadas pelas comunidades. A VAPET como assim é
chamada a vassoura fabricada a partir da garrafas pet foi uma
saída para a destinação deste produto e ainda gerou renda para famílias
em situação econômica difícil.
Ainda em 2003, a
fim de dar um suporte continuado para os adolescentes do projeto Horta
que aos 16 anos deveriam sair do projeto foi criado o projeto
“Reciclagem é Vida”, um projeto voltado para menores com apoio da
Pastoral do Menor e como pólo de erradicação do trabalho infantil. O
objetivo principal era preparar o adolescente para o mercado de
trabalho. O projeto teve o seu termino no ano de 2010 para dar suporte a
uma nova modalidade de ensino para os adolescentes.
Em 2004 devido
ao alto índice de violência doméstica contra mulheres surgiu a GAM, o
grupo Guerreiras Amazônicas em Movimento cujo objetivo principal seria a
luta pela igualdade de gênero e combate contra a violência.
Em 2007 o MCVE
passou pela mudança de sua diretoria onde o Presidente e idealizador do
MCVE Pe. Riccardo
Zanchin passou o
cargo de presidente para Pe. Lorenzo Tasca que cumpriu o seu mandato até
o ano de 2010.
Em 2009, com o
apoio da Visão Mundial foi implantado em 4 comunidades o Projeto Fazendo
Arte na Comunidade, um projeto voltado para crianças e adolescentes cujo
principal objetivo foi de oferecer um espaço artístico e cultural para
os menores que se encontravam em situação de vulnerabilidades. Com
atividades pintura, aulas de espanhol, teatro e capoeira o projeto segue
beneficiando 50 crianças todos os sábados.
Em 2010 foi
implantado o projeto Ler Para Crescer na mais nova comunidade da área
missionária Santa Helena, a
comunidade de São José, uma comunidade resultante das grandes ocupações
na cidade de Manaus e com grandes necessidades básicas de cidadania e
políticas públicas.
No mesmo ano no
mês de junho ocorreu a Assembléia ordinária do MCVE cuja diretoria foi
renovada. Assim foram
aclamados
Padre Stefano Moino para Presidente, Joelma Lima de Araújo Ferraz para
vice-presidente, Márcia Silva Dias para Primeira Secretaria, Maria
Otalina Lopes da Costa para Segunda Secretária, Francisca Amaral de Melo
para Primeira Tesoureira, Afonso de Oliveira Brito para Segundo
Tesoureiro.
E assim está sendo a caminhada do Movimento Comunitário Vida e Esperança
até esses dias, contando com vários parceiros, que por identificação com
a causa, somam forças e apoio significativo na organização e melhoria do
trabalho.
O trabalho realizado pelo MCVE não visa o assistencialismo, mas busca
tornar cada participante dos vários projetos um agente-protagonista de
sua história na sociedade.
O MCVE continua, hoje, como Jesus Cristo, a gritar contra as situações
que matam a vida, apontando para caminhos mais justos e igualitários,
acreditando e mostrando com praticidade, que um mundo melhor é possível,
com vida e esperança para todos